A mulher nos contos de fada

“Sleeping Beauty” (Date Unknown) Thomas Ralph Spence

Submissa, frágil, inocente são adjetivos relacionados à mulher nos contos de fada como também seus opostos:- Má, invejosa, astuta acrescidos de curiosa, intrigueira, feiticeira.

O papel da mulher nos contos de fada é a sua história no Ocidente,é o papel de se fazer presente de tentar ordenar sua vida, seus desejos; de se impor ainda que pela artimnha e astúcia perante um cenário altamente favorável ao homem.

O Direito e a Religião  sempre se interpuseram no caminho da mulher até ela se libertar a partir da segunda metade do século XX ,o que nem sempre significou que esteja totalmente solta das amarras da cultura machista que escreveu a receita de comportamento e ações sobre a mulher ainda que a Lei tenha reconhecido o seu direito de liberdade. Não significa que antes do século XX ela não dispusesse de alguma liberdade e de capacidade de se defender. Mas a cultura ocidental criou um ambiente masculino onde o status superior é do homem tanto na Religião, na Gramática na Lei, enfim. No XIX foi possível vislumbre de uma luta que começava a se desenhar num horizonte longínquo.

Chapeuzinho Vermelho. Ilustração de Edward Frederick Brewtnall (*1846 +1902)

 

Se analisarmos o conto de Chapéuzinho Vermelho veremos que as mulheres são a menina e sua mãe e a avó. Não está explicito se a avó é materna ou paterna e ninguém questiona pois pela relação das protagonistas, provavelmente é a avó materna que ligaria as tres gerações.

Vez por outra Chapeuzinho é vítima de comentários feministas alegando ser o protótipo da mulher obediente , cresceu para obedecer e que sua desobediência é punida com um susto e risco de morte. Uma observação é que Chapeuzinho é uma criança. Crianças devem obedecer pois há uma garantia de segurança, de preservação da integridade física nesse ato. Se levarmos em conta a época em que o conto surgiu (ou era mais divulgado) veremos que lobos eram um perigo constante e sua simbologia ligada ao macho/masculino vem do homem ser historicamente um agressor (um lobo-mau que até hoje se sente no direito de reivindicar o seu lugar alfa). Outro dado importante para se entender a história e seus personagens é o fato de a infância sociater passado a existir tardiamente (por volta do século XVII) e até essa data crianças eram considerados adultos em miniatura. Então, as críticas à mãe de deixar uma criança sozinha “pela estrrada afora” são incabíveis pois tarefas árduas eram desempenhadas desde a idade em que se começava a ser capaz de carregar uma ferramenta. Assim, a criança que leva doces para a vovó é uma criança de tempos passados bem como a proximidade com a natureza, a presença de caçadores e lobos por perto.

Cena de Chapeuzinho Vermelho no traço de Warwick Goble (1862-1943) British

Chapeuzinho foi vítima de um ardil do lobo que a convence da mudança de caminho confundindo-a quanto a orientação da mãe para não se desviar do caminho do rio. Se o lobo representa a figura masculina, então é  correto afirmar que ele ganha a confiança da garota na lábia como ainda é possível ainda nos dias de hoje uma garota ser enganada por um sujeito mau-caráter que se faz de honesto e bonzinho (o lobo na pele de cordeiro)

O fato dessa criança ser de tempos passados não impede que sua ação na história e a atuação de outros personagens sejam adequados a nossa realidaded. Perigos existem, os desaparecidos são muitos. Pedofilia, agressão e violência contra a infância e a mulher são realidades incontestáveis.

A hiostória faz sucesso ainda hoje e provavelmente continuará pois a infância recebe certos acontecimentos, como os narrados nos contos de fada, com muito interesse pois neles encontra resposta para questões do dia a dia como a convivência com os adultos.

Adultos são moralmente incosistentes e a criançaos tem como seus protetores (a princípio). Os contos estão repletos de sinais sobre essa inconsistência moral como por exemplo o fato da mãe autorizar uma menor de idade a executar uma tarefa perigosa como atravessar uma floresta com lobos a solta; ma idosa estar morando sozinha numa casa em plena floresta e tudo isso não interessa à criança que se atém ao fato do lobo ser morto por um caçador (que entende-se como bom) e o resgate das duas, vovó e Chapeuzinho.

Hoje com a argumentação do politicamente correto questiona-se tais fatos alegando as atitudes supostamentes incoerentes ou irresponsáveis de personagens destruindo o teor simbólico dos contso que é o que justamente atrai a atenção de crianças do mundo inteiro.

Interessante tambem é  observar que não há presença do pai de Chapéuzinho. A relação acontece entre as tres idades -infância, adulta e velhice.  O papel do pai, no caso, cabe ao caçador no seu lugar de poder sobre a natureza que oferece perigo e que demosntra o lado positivo do masculino (o protetor ) na figura do caçador. Nem sempre o homem é o agressor é o que ajuda também.

Peter Sheaf Hersey Newell (1862-1924) United States

Pelo contrário o homem nesses contos muitas vezes aparece como o parvo, mal informado, pouco inteligente. É o caso de reis -ou pais- que se casam em segundas núpcias com mulheres perversas e não se dão conta até que o mal seja instaurado e surja a necessidade de repará-los. Para ele é dificil perceber o ardil da esposa antes que algo de mal possa acontecer aos filhos.

Ilustração para Chapeuzinho Vermelho – Walter Crane (1845-1915) Great Britain

A situação da mulher ganha contornos trágicos em Pele de Asno. Nela a protagonista é assediada pelo próprio pai após a morte da esposa. Mais uma vez a figura masculina apresenta-se como um perigo para a mulher. O incesto, tabu máximo em nossa cultura, é  discutido no conto sem reservas. Estudiosos do Diretio de Família, observadores dos conselhos tutelares apontam para um grande número de casos em que o assédio sexual sobre a criança acontece dentro da própria famílila por parentes próximos incluindo, muitas vezes, o pai.

Henry Justice Ford (1860-1941) Great Britain, ilustração para conto similar a Pele de asno – Allerleirauh

Pele de Asno nos remete à questão atual da preservação da integridade moral e física da infância que deve ser mantida afastada dos segredos sexuais dos adultos e muitas vezes ser protegida da própria família que deveria ser o seu âmbito de segurança.

O tema central da história é o incesto. O pai , perdendo a consciência do ato, exige casar-se com aprópria filha pois vê nela a imagem da esposa morta há pouco.

A situação dramática exige da protagonista sacrifícios extremos que a obrigam a viver como miserável e que ela entende ser o único caminho para resolver toda tragédia em que sua vida se transformou após a morte da mãe. Indefesa e só, Pele de Asno foge para longe do pai e da casa empreendedno uma caminhada para terminar com um final feliz como é comum nos contos de fada e desejado na vida real.

O site a seguir traz uma bibliografia sobre o tema “A mulher noscontos de fada”.http://www.surlalunefairytales.com/introduction/womenfairytales.html

Continua…(em construção)

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Uma ideia sobre “A mulher nos contos de fada

  1. Muito obrigada por este site.
    Estou escrevendo minha Tese de Doutorado e os artigos tem sido muito úteis.
    E não se preocupem que sempre dou os devidos créditos.
    Abs,
    Simone

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